sábado, 20 de outubro de 2007
Tudo certo!
Há dois dias recebi e-mail de André falando sobre o roteiro do curta que lhe enviei. Tudo redondo. Sintetizou o que pode ser mais forte e falou coisas muito boas sobre minha forma de sentir. Acenou com a possibilidade de vir a Recife. Bom demais. Ele consegue me deixar feliz. Sabe a corda certa de tocar. Sincronia perfeita. Ando lendo três coisas, escrevendo outras três. Fase em que as palavras brotam aos borbotões. Minhas mãos começaram a trabalhar. Ontem começei uma escultura de um vestido de Versace, que amo. Fui ver Gilca hoje, amanhã é seu aniversário e fui levar-lhe seu presente. Acabei ajudando a fazer sua fisioterapia. Cantei suas músicas preferidas e ela que estava gemendo quando cheguei, acalmou-se, segurou minhas mãos e encostou sua cabeça em meu ombro. Quando ouviu-me dizer que ia embora, voltou-se para mim e veio me acompanhar até a porta. Estou com preguiça de continuar agora.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Freiando para acelerar
Demora em escrever. Ainda estou assustada com a nova modalidade. Edú passou por aqui a semana passada, rápido como um cometa. Legal, mesmo assim deu pra por a conversa em dia. Gilca passou mal. Hospitalizou-se, já saiu. Meu trabalho com ela acabou. A familia não segura duas enfermeiras mais eu. Meu trabalho com ele mexo com o sutil. Não importa isso pra eles agora. Querem a certeza do trabalho braçal. Não posso deixar de dar-lhes razão. Chorei muito, senti o afastamento dela. Nossa cantoria, ela a desenhar suas singulares bolinhas e fazendo colagens. Tudo tão delicado! Sempre me desejava na saida: Deus lhe guie... lhe ilumine... lhe de tudo de bom... muito obrigado minha filha. Meus passos e meu dia se contagiavam com a sua leveza. Agora espalho o material que construimos a quatro mãos em cima da cama. É muita coisa. Levarei um ano para digerir e analisar mais distanciada. Ce lá vie! Fecha-se uma porta, abrem-se duas. Eu e meu otimismo. Hoje é aniversário de Fá. Dificil dar-lhe um presente. Tem que ser alguma coisa especial. Comprei-lhe um móbile de origami, espero que goste. Ando ficando muito esquisita. Gosto de fazer as coisas sozinha. Festas, aglomerações é um sofrimento. Porque tenho de interagir, responder coisas. Poucas conversas me dizem. Prefiro a que tenho diariamente, pra dentro. Eu comigo mesma. Continuo adorando a natureza. Se em frente da minha janela não tivesse esse jambeiro com essa copa acolhedora, que vez por outra espalha um tapete rosa pelo chão, mudaria desse prédio. Só quero o que me significa. O que me faz bem e melhor. O resto é perfumaria, faz parte do mercado. Me interessa o infimo, o desapercebido, o que esbarra em nossos pés e não vemos. Chega, falei demais por hoje.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Desafio
Cedí ao desafio de Mauricio. Um diário. Arrepio. Pode ser tudo. Nada. Impressões, compressões e desabafo. Fui no hospital visitar Gilca, teve alta. Atendi Vivi. Levei-lhe flores. Ficamos uma hora e meia numa comunicação de surdo-mudos. Passei uma hora na fila do banco, fui ao super-mercado, quase tres horas entro em casa. Total: cinco onibus. Escutei um papo de um estudante. Olhando pra um prédio, "cara olha a cobertura! Sabia que o Jaguar tem um bicinhinho que sai quando acelera e ele se esconde quando freia"? Na fila do banco, um homem todo troncho guiava uma mulher toda trêmula. Sextaaa! Tenho dois dias pela frente só meus. Pra ficar na toca ou dar umas bandolas por ai.
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